Pesquisar neste blogue

21 de março de 2012

Zivot je cudo (A vida é um milagre)

Depois de semanas seguidas de stress, deadlines para cumprir e intensa pressão, voltei, mais uma vez com a satisfação de mais uma missão cumprida!

E foi com bastante surpresa que me apercebi que este blog já tinha mais de 1000 visualizações...Nunca pensei chegar a esta marca tão rápido, mas é sinal de que gostam do que escrevo, e isso incentiva-me a escrever mais.

Por isso por este ser o último dia em que celebro os meus 33 anos, e porque a vida é um milagre que merece ser celebrado com alegria, venham de lá dois hip hip hurrahs bem altos, e siga a festa que os 34 são já amanhã!


24 de janeiro de 2012

E depois do adeus

Dizer adeus é algo que detesto, porque a palavra soa-me a algo definitivo e assumido.

Nunca gostei de usar esta palavra, e é muito raro usá-la para me despedir de alguém. Sempre preferi usar um até breve ou um xau para me despedir, porque dá a sensação (embora por vezes falsa) de que um dia, mais tarde ou mais cedo irei ver e voltar a conviver com essa pessoa.

No entanto, por vezes uso a palavra adeus, algumas vezes faço-o por não querer ver mais essa pessoa, e outras em que sou obrigado a usá-la sem ser essa a minha vontade. Esta semana foi uma dessas raras vezes em que a usei a contragosto, e não me apetecia nada usá-la…

Não há muito a dizer, a vida é mesmo assim... Agora é viver um dia de cada vez, uns dias mais triste, outros mais animado, mas muito mais rico com a passagem dessa pessoa pela nossa vida. Muitas vezes damos importância às coisas supérfluas e superficiais, mas o que realmente importa são as experiências de vida e o que aprendemos por confraternizar uns com os outros. Depois de um adeus é isso que fica.

Eu tive a sorte de conviver o suficiente para dizer que fiquei mais rico com a presença dos meus avós na minha vida…Depois do adeus fica muita coisa boa para recordar.

Adeus avó, e obrigado por teres feito parte da minha odisseia sem fim...

7 de dezembro de 2011

Na corda bamba

Vejo no meu horizonte céu claro e muito sol por um lado, e nuvens negras e tempestade do outro, e o meu caminho a passar entre estas duas realidades, sem poder evitá-lo ou seguir outro caminho com menos extremos.


Vejo-me perante estas duas realidades completamente diferentes, como um trapezista a caminhar através de uma corda bamba sem rede, em que não me posso deter ou optar por outro caminho nem falhar nenhum dos passos sob pena de dar passos em falso e deitar tudo a perder, numa altura em que estou totalmente focado em atingir um objectivo, e me vejo perante o desígnio superior de estar presente quando os nossos entes queridos caminham a passos largos rumo ao crepúsculo da vida e enfrentam uma batalha que todos perdemos desde que nascemos.

Não vai ser fácil manter a concentração e o equilíbrio entre duas realidades tão díspares, mas não me resta outra alternativa senão mergulhar de cabeça sem me poder deter a meio nem poder refrear o ritmo dos acontecimentos, e fazer tudo o que puder em todas as frentes, sem abrandar o ímpeto para não deitar tudo a perder nem deixar de apoiar aqueles que me são próximos.

Em última análise, ninguém disse que a vida era justa. As lágrimas devem ser silenciadas e choradas interiormente e as dores suportadas com estoicismo e valentia até ao dia em que caímos definitivamente, porque o mundo é dos bravos, e tudo o que é bom tem um sabor a efémero e breve. Resta-nos viver e não sobreviver, e ir fazendo o melhor que sabemos e podemos.

27 de novembro de 2011

Quando o fado e o sentimento de saudade se encontram fora da nossa pátria (escrito em 27/11/2011)

Hoje é um grande dia para todos os Portugueses, devido ao Fado ser finalmente considerado património imaterial mundial pela UNESCO.
Apesar de como Português me sentir orgulhoso por este facto, na verdade confesso que o fado nunca esteve entre os meus géneros musicais favoritos... Só após muitos anos e uma estadia fora do país começei a apreciar fado embora não o ouça muitas vezes.
Recordo um dia em especial e uma canção, a canção do mar, cantada por Dulce Pontes.



Ouvi-o passado um mês e poucos dias de ter saído de Portugal, rumo a um país e uma realidade completamente diferentes do que conhecera até então, numa festa Portuguesa organizada pelos estudantes Portugueses do Programa Erasmus, numa espécie de garagem com sofás sovados, um balcão improvisado e infiltrações de água nas paredes que servia de bar de Erasmus com o nome de Jazzbina, em Ljubljana, a 4.000 quilómetros de Portugal.
Até então nunca tinha estado tão longe do meu país. As minhas viagens para fora tinham-se resumido a algumas voltas pela Península Ibérica, e nunca por períodos maiores que um mês.
Por entre imagens de Portugal e copos de sangria surgiu esta música. Já a tinha ouvido antes, mais do que uma vez até, mas nesse momento parei. Senti um aperto enorme no coração ao aperceber-me como estava longe de tudo o que até então tinha vivido, do meu país, da minha casa, dos meus familiares e amigos…
Nunca tinha sentido nada assim. Foi nesse dia que finalmente compreendi o verdadeiro significado da palavra saudade, e do enorme sentimento que essa palavra encerra. É um sentimento que não se explica por palavras, apenas quem está longe daquilo que ama o sente e consegue perceber o seu real significado.

Tal como o sentimento de saudade, que dizemos ser uma palavra que apenas encontra uma tradução real na língua Portuguesa, também o fado é parte integrante do nosso património nacional, e a partir de hoje,também do património mundial, o que significa que o nosso planeta passará também a ser um pouco mais Português, ajudando todos os que estão longe da nossa pátria a suportar um pouco melhor o sentimento de saudade.


13 de novembro de 2011

Dificil es quitar un sentimiento que esta bien amarrado al palo del corazon

Ao contrário do que tenho escrito, este não é um texto sobre viagens, nem tão pouco sobre música. Este é um texto que não vai ser tratado, re-escrito e arranjado para que fique bem feito, nem vai levar qualquer imagem. Hoje vou deixar o meu coração falar.
Pela primeira vez em três anos, sinto que é tempo de deixar cair a muralha que ergui sobre mim próprio para me proteger e dizer o que sinto..


Há precisamente três anos atrás, vi partir a pessoa que foi uma das grandes referências da minha vida, o meu avô..
Ao escrever este texto, ainda tenho o mesmo sentimento de vazio que senti neste dia, como se se tivesse aberto um enorme buraco negro que me sugou as emoções e os sentimentos, o mesmo peso no coração e o mesmo sentimento de raiva e e impotência por ter-te visto numa cama de hospital a sofrer e a chamar pelo meu nome e eu nada poder fazer para impedir isso. A única coisa que me dá alguma tranquilidade foi teres falecido na presença dos teus sucessores, e não sozinho e abandonado.

Recordo bem o dia que recebi o telefonema numa tarde de sábado a avisarem-me que se sentia mal e ia para o hospital. Era o dia 8 de Novembro, lembro-me que estava sol nessa tarde, e da enorme aflição que senti porque previ o pior.
Ao chegar ao hospital, senti-me um pouco mais tranquilo, sempre foi um combatente, que aos 80 anos ainda andava nos telhados e fazia muros. Vi-o combalido e fraco, mas estava tranquilo, e isso tranquilizou-me.

No entanto, com o decorrer da semana fui vendo o lento definhar até chegar à fatídica Sexta feira de 14 de Novembro.. Nesse dia ao sair do trabalho tive um estranho pressentimento, e contra tudo decidi ir ao hospital. Sentia que algo não estava bem, e corri, corri como há muito tempo não corria, apenas parando junto à cama, dei a mão e assim foi partindo, aos poucos... Ainda hoje penso que esperou por eu chegar para partir.
Naquele momento apeteceu-me chorar de raiva e isolar-me de todos até acalmar a dor, mas não o fiz porque sabia que não podia, contive e engoli tudo o que senti.

Por fora parecia feito de pedra, sabia que tinha de ser o fiel da balança e o elemento conciliador na família, tinha de ser forte por todos, para que nenhum quebrasse, mas por dentro implodi. Nos dias seguintes senti-me vazio e perdido, sem vontade de lutar. Limitei-me a ver os dias passar, e até que voltasse a reagir levou algum tempo.

Ainda hoje, passados estes anos, tenho o mesmo sentimento de vazio e de perda. Provavelmente é um sentimento que irá acompanhar-me até ao fim, porque por mais anos que passem, nunca vou esquecer o forte de madeira que me fizeste em miúdo para eu brincar aos índios e cowboys, e que ainda hoje guardo religiosamente, nem o degrau a mais nas escadas que fizeste por eu ter caído e esmurrado os joelhos, nem os momentos que passei a brincar e a martelar os dedos na tua oficina, nem as histórias que me contavas que faziam com que me risse como um perdido, nem as vindimas na terra, em que me punhas no lagar a pisar as uvas, nem os passeios que dei em miúdo pela tua mão pela baixa de Lisboa, pelas Caldas, pela Foz do Arelho, nem os almoços em família no Cortiço, nem de te ver a trabalhar na velha estância de madeira perto da Almirante Reis a trabalhar a madeira com o esmero e a paciência de um mestre.

Irei sempre arrepender-me de nunca termos feito a viagem que combinamos quando era pequeno, e que tantas vezes ficamos de combinar e foi ficando sempre para depois, para quando houvesse tempo...Até que não houve mais tempo...

Não sei se existe céu ou inferno, nem se onde quer que esteja o meu avô vai ler o que escrevo. Quero acreditar que está num lugar melhor. Quero acreditar que onde quer que esteja ele continua a guiar os meus passos, e a fazer degraus para eu não cair e esmurrar os joelhos...

2 de novembro de 2011

Oblivion

Apenas fecha os olhos, esquece as mágoas do passado, as preocupações do presente e os receios e sonhos de um futuro incerto, e deixa a música fluir livremente pelo teu corpo e alma...

Astor Piazzola através do tango tem o dom de nos fazer esquecer tudo por breves momentos. As mágoas, desilusões, tristezas, alegrias, momentos felizes, tudo fica para trás, apenas o agora interessa, um agora carregado de sentimento e silêncio, fazendo-nos mergulhar no rio do esquecimento (Oblivion)...

24 de agosto de 2011

Sarajevo Ljubavi moje (Sarajevo meu amor) - Segunda parte

Após o repouso, saímos da casa para jantar. Depois de ter-me deparado com aquela situação a minha vontade de sair da casa era pouca ou nenhuma, mas acabei por ir porque a fome já apertava. Ao sairmos de casa coincidiu com a hora do pôr-do-sol, e apesar da paisagem de inúmeros cemitérios espalhados pela cidade optei por tentar ignorar essa visão e concentrar-me unicamente nos edifícios que se espraiavam pelo vale.

Sabia pelo que tinha lido que Sarajevo era antes da guerra uma das cidades mais cosmopolitas da ex-Jugoslávia, sendo famosa pela sua tolerância religiosa e cultura, e também por ter recebido os Jogos Olímpicos de Inverno de 1984, e tentei ver o que restava dessa cidade.
 Apesar de ainda existirem alguns vestígios de guerra e casas destruídas, a cidade ainda tinha vestígios da sua anterior glória e prestígio, e, ao contrário do que tinha visto durante a tarde, ao por-do-sol não conseguia deixar de achar como era belo todo o cenário que se deparava perante os meus olhos, para meu próprio espanto.



A nossa busca de um local para jantar levou-nos até um pequeno restaurante com um ambiente familiar e despretendioso, que era exactamente aquilo que procurávamos. Após saborearmos um cevapcici e uma baklava, decidimos percorrer as ruas principais da cidade.

O famoso Cevapcici
Para meu espanto, encontrámos as ruas cheias de movimento e cafés, bares e discotecas abertos, cheias de pessoas a confraternizarem, e de jovens adolescentes desejosos de viverem a vida demasiado depressa. Nesse momento dei por mim a pensar nas imagens de pessoas a fugir dos tiros nessas mesmas ruas, apenas alguns anos atrás. Como era possível aquele milagre suceder? 



Uma das famosas rosas de Sarajevo
Tinham-me contado histórias acerca do quotidiano durante esses anos, de pessoas que pelo simples gesto de procurar algo que comer, lenha para se aquecer ou água para beber corriam o risco de acabarem mortas. Contaram-me histórias de pessoas que apenas pelo ruído dos obuses de artilharia a cair sabia que tipo de projéctil era, em que local iria cair e qual o tempo que tinham para fugir de uma morte quase certa. Hoje em dia ainda se pode ver marcas desses bombardeamentos nas ruas da cidade. Essas marcas foram cobertas com cera de velas, sendo conhecidas como as rosas de Sarajevo.

Apenas alguns anos atrás este era o quotidiano daquela mesma cidade que agora via perante os meus olhos vibrante e cheia de vida, a mesma cidade que tinha achado deprimente, angustiante e triste aparecia agora perante os meus olhos transfigurada para algo muito melhor.
Como era possível naquela terra esquecida por Deus as pessoas terem reencontrado a vontade de viver e fazerem de conta que nada se tinha passado naquele local?

Passados minutos deparei-me com um vulto familiar. Era o mesmo homem que algumas horas antes eu tinha visto completamente destroçado por não ter conseguido alugar a casa. Estava de novo na avenida principal, em busca de pessoas de visita à cidade à procura de um local acessível para ficar.

A verdade é que não adianta lamentarmo-nos e ficarmos de braços cruzados e sem esperança à espera que alguém nos salve o dia e a vida. Apenas aqueles que caem e aprendem a levantar-se e nunca perdem a esperança, por muito desesperada que a situação seja, poderão algum dia voltar a viver dias felizes.
- Pois é Hugo, por muito que nos lamentemos a verdade é que a vida continua, e temos de nos agarrar a ela para que não nos passe à frente dos olhos, pensei para comigo.



Uma das entradas do túnel
Lembro-me de ler algo acerca da história de Sarajevo e dos dias do cerco à cidade. Na altura a cidade estava completamente cercada pelo exército dos Bósnios-Sérvios, com excepção da parte da cidade que era ocupada pelo aeroporto, que era controlado pela ONU. Como os Bósnios não podiam ter acesso a esta parte da cidade para poder fazer passar mantimentos e outros bens de primeira necessidade, decidiram construir um túnel que passasse por baixo do aeroporto e ligasse a cidade à área sob controlo dos bósnios.

Até aqui nada de extraordinário, no entanto a verdade é que os construtores do túnel não dispunham de técnicos especializados, materiais ou mesmo instrumentos de precisão que lhes permitisse construir o túnel para que os dois lados coincidissem, tendo sido ele todo feito a olho, e sob condições extremamente difíceis. Ainda hoje uma das casas bombardeadas nas quais termina um dos lados do túnel serve de testemunho da extraordinária proeza destes homens, que numa situação de quase desespero e sujeitos a serem sepultados vivos por uma das bombas que diariamente caíam naquela casa usaram o engenho para encontrar um meio de aliviar o fardo dos cidadãos sitiados.
Com estes pensamentos voltámos de novo à casa onde pernoitámos naquela noite, e ao chegar ao local não quis entrar logo. Decidi ficar mais um pouco cá fora a apreciar as luzes da cidade naquela noite de céu estrelado. Ao ver aquela cidade vibrante e viva carregada de cicatrizes não pude deixar de pensar em como era bela e única. Sarajevo é de facto uma cidade muito especial, que nos faz passar por um misto de emoções fortes e sentimentos, e no fim de tudo nos renova a esperança e aquece-nos o coração…Pelo menos a mim fez-me sentir dessa maneira.

De manhã caminhámos novamente pela cidade antes de a abandonarmos em direcção ao nosso destino. Ao passarmos pelo Praça dos pombos e pela fonte que supostamente faz regressar quem beber a sua água, decidi beber essa água três vezes, para ter a certeza que um dia voltaria.
A praça dos pombos e a fonte
Passaram seis anos desde esse dia, no entanto o desejo de regressar continua vivo. Quando regressar, irei passear pelas ruas a cantarolar a música dos anos 60 conhecida por todos os Bósnios e pela grande maioria dos que visitaram a cidade, que se chama Sarajevo Ljubavi moje (Sarajevo meu amor)



Até um dia...