Hoje é dia de aniversário do meu pai . Já lá vão 59 anos…Apesar de não ser dia do pai, não podia deixar passar este aniversário em branco e fazer uma pequena homenagem.
Não é fácil para mim falar do meu pai, penso que não o é para nenhum filho. Há sempre demasiado para dizer e nem sempre se consegue dizer tudo. Posso dizer que sou um filho orgulhoso de um grande pai, e que o meu pai é o meu herói.
Desde pequeno sempre o adorei, a ponto de dizer que o meu pai é um dos grandes amores da minha vida. De pequeno recordo as brincadeiras, a ida para o infantário pela sua mão, as paragens para comer o pastel de nata ou a passagem pela loja do macacão, que faziam parte da rotina diária a caminho de mais um dia.
Também recordo o período da tua ausência semanal, em que esperava todas as sextas-feiras à noite ansiosamente pelo nosso velho mini que o trazia de volta para nós, dos acampamentos na Foz do Arelho e as pescarias ao pôr-do-sol que tanto gostava de ir, ou me pegar ao colo para conduzir o mini, mesmo que fosse a fingir, e da primeira vez que me levou a ver a bola, e que teve um efeito contrário ao que ele pretendia porque acabei por começar a gostar do Belenenses.
Nessa altura todos os momentos eram poucos para estar com ele.
Numa fase posterior recordo a infinita paciência para me explicar a matemática, mesmo que estivesse distraído com outras coisas sem jeito, e do apoio incansável que me deu quando já poucos acreditavam nas minhas capacidades (por vezes até eu próprio). Ele nunca desistiu de mim!
E graças ao apoio dele venci e superei todas as duras provas a que fui submetido. Nesses anos aprendi com ele a mais importante de todas as lições de vida, a de que por mais difícil que esteja a situação, nunca se deve baixar os braços até alcançar o que queremos.
Superar esses momentos fizeram-me chegar onde cheguei hoje. Também recordo de como decidiu apoiar-me quando me aventurei pela primeira vez fora do país, para um país completamente diferente durante meio ano, que se veio a converter em um ano, e mesmo que estivesse contra a minha decisão de ir decidiu não me cortar as asas, nem de quando me amparou a queda e me apoiou mais uma vez… Provavelmente ia conseguir superar a prova de fogo sozinho porque estava determinado a isso, mas o seu apoio foi a âncora de estabilidade que necessitava para navegar no meio de um oceano de tanta incerteza.
Pai, apesar de por vezes chocarmos, e de por vezes me fechar e não dizer o que sinto e de nem sempre ter tempo para te ouvir, quero que saibas que não há um dia em que não pense em ti, nem que não agradeça tudo o que tens feito por mim. Tudo o que fui, sou e serei devo-o a ti.
Parabéns meu pai, irmão e amigo para a vida.